Arrependimento: Mudança de Mentalidade e de Atitude
O arrependimento é o primeiro passo para os que querem ter uma vida de intimidade constante com Deus. Sem um profundo arrependimento não há remissão de pecados, ou seja, o perdão só se torna evidente em nossas vidas quando houver de fato quebrantamento gerado pelo arrependimento.
POR:
Wolney Rosa Garcia Jr
PUBLICADO EM:
Artigo/34
Naqueles dias, apareceu João Batista pregando no deserto da Judéia e dizia: Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus. Porque este é o referido por intermédio do profeta Isaías: Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas. [Mateus 3:1-3]
O arrependimento é o primeiro passo para os que querem ter uma vida de intimidade constante com Deus. Sem um profundo arrependimento não há remissão de pecados, ou seja, o perdão só se torna evidente em nossas vidas quando houver de fato quebrantamento gerado pelo arrependimento.
Comecemos este estudo com a seguinte referência:
Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus (Mateus 3.2).
A palavra “arrependimento” é bem destacada aqui, e se encontra no modo imperativo, “arrependei-vos!”. A palavra no original é μετανοέω metanoeo que significa: mudança de mentalidade, mudar a mente para melhor.
O fruto gerado pelo arrependimento é a mudança de mentalidade. Porém, há muitas pessoas que vivem confessando suas transgressões e nunca saem da mesma condição, encontram-se escravizadas, praticam as mesmas coisas, os mesmos erros sempre. Essa atitude de permanecer nas mesmas transgressões pode levar a um estado de cauterização da consciência, um estado de antinomianismo (ilegalidade), que leva a uma licenciosidade moral.
O apóstolo Paulo alertou aos irmãos Gálatas sobre os seguintes acontecimentos:
Irmãos, vocês foram chamados para a liberdade. Mas não usem a liberdade para dar ocasião à vontade da carne; ao contrário, sirvam uns aos outros mediante o amor. Toda a Lei se resume num só mandamento: “Ame o seu próximo como a si mesmo”. Mas se vocês se mordem e se devoram uns aos outros, cuidado para não se destruírem mutuamente. Por isso digo: Vivam pelo Espírito, e de modo nenhum satisfarão os desejos da carne. Pois a carne deseja o que é contrário ao Espírito; e o Espírito, o que é contrário à carne. Eles estão em conflito um com o outro, de modo que vocês não fazem o que desejam. Mas, se vocês são guiados pelo Espírito, não estão debaixo da Lei. Ora, as obras da carne são manifestas: imoralidade sexual, impureza e libertinagem; idolatria e feitiçaria; ódio, discórdia, ciúmes, ira, egoísmo, dissensões, facções e inveja; embriaguez, orgias e coisas semelhantes. Eu os advirto, como antes já os adverti: Aqueles que praticam essas coisas não herdarão o Reino de Deus. Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Contra essas coisas não há lei. Os que pertencem a Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e os seus desejos. Se vivemos pelo Espírito, andemos também pelo Espírito. Não sejamos presunçosos, provocando uns aos outros e tendo inveja uns dos outros. (Gl. 5:13- 26, NVI)
Ao dizer aos gálatas para não cederem à carne, Paulo lembra aos leitores que já tinha lhes dito sobre essas coisas antes (v. 21), e que “aqueles que praticam essas coisas não herdarão o Reino de Deus” – isto é, aqueles que vivem dessa forma não são nem mesmo cristãos.
Muitos se esquecem de que, após toda mudança de mentalidade deve haver sempre uma mudança de atitude. É a ação do homem natural pecador sendo respondida pela reação de um coração compungido gerado por Cristo em nós. Um coração arrependido e voltado completamente para o libertador de todo pecador, a esses Ele diz: “… Sede santos, porque eu sou santo” (1Pedro 1.16).
PRECISAMOS MORTIFICAR A NOSSA CARNE
Outro texto para refletirmos:
… Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim (Gálatas 2.19,20).
Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus (Colossenses 3.1).
A morte de Cristo na cruz acabou com a nossa corrupção anterior. E pela sua morte fomos totalmente separados da nossa antiga forma de sentir e agir, ou seja, mortos para o pecado e vivos para Deus.
Um pronome que se destaca neste texto de suma importância é a palavra “sou eu” – ego, que apenas é expresso na Bíblia quando algo está sendo enfatizado. O verbo “estar” é que está sendo crucificado, e aqui está na primeira pessoa do singular “estou crucificado”, ou seja, quem está sendo crucificado é o próprio ego, o próprio “eu”.
Se verdadeiramente tivermos dispostos a ter uma vida de renúncia do pecado, mortificando o próprio “eu” ou ego, experimentaremos então uma nova vida em Cristo Jesus. E então diremos como o autor de Gálatas: “Cristo vive em mim”. Esse viver implica em um senhorio absoluto em nossas vidas, onde Cristo assumirá o controle sobre nossa mente, vontade e coração; corpo, alma e espírito.
Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional (Romanos 12:1).
A palavra “vivo” no texto que acabamos de ler, vem do grego ζωη zoe que significa: absoluta plenitude da vida, tanto em essência como no caráter, que pertence a Deus. Leia as seguintes referências sobre o viver de Cristo que apresentou a sua vida como um grande exemplo de um caminhar santo e agradável a Deus (João 1.1; 1.10; 1.14; 1 João 1.1; Ap 19.13).
ARREPENDIMENTO TAMBÉM ENVOLVE AS EMOÇÕES
Para que haja o genuíno arrependimento em nós é preciso também que as nossas emoções sejam curadas. Vejam o seguinte texto:
“Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos pelos meus constantes gemidos todo o dia” (Salmos 32.3).
Eis aí uma palavra que nos revela não somente o confessar dos nossos pecados, como também aqueles pecados que muitos tratam como se fossem um simples “pecadinho”, se é que existe tal grau de pecado. Pecado é pecado e não existe meio termo.
O texto neste salmo vai muito mais além, pois, fala-nos principalmente de pecados ocultos e não confessados, fala-nos das consequências que acarretam sobre aquele que encobre suas transgressões.
O autor neste relato encontra-se extremamente enfermo pelo fato de ter permanecido em silêncio ante o seu pecado. Observem bem que, logo após esse relato e pelo fato de ter-se visto em condição de enfermidade o qual penso ser extrema. Há então, o ato de humilhar-se em quebrantamento perante Deus.
O pecado mata as emoções, fere a integridade de consciência e principalmente, nos afasta de Deus o que é mais lastimável.
O único remédio é abrir o coração numa atitude de confissão perante o Eterno Deus. Não se esquecendo de que antes de toda confissão deve vir primeiro um genuíno arrependimento (a mudança de mente mencionado acima) e conseguintemente uma mudança de atitude, e isso implica em mudar a rota, é dar um giro de 360° graus, uma convergência rumo à Vida Eterna.
“Confessei-te o meu pecado e a minha iniquidade não mais ocultei. Disse: confessarei ao SENHOR as minhas transgressões; e tu perdoaste a iniquidade do meu pecado” (Salmos 32:5).
“O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia” (Provérbios 28.13).
É bastante importante compreendermos que quando confessamos nossos pecados a Deus, o fato de deixar ou abandonar as más práticas deve ser o alvo proposto de cada servo sincero. A solução que o apóstolo Paulo nos apresenta é primordial para alcançarmos o alvo (a Vida Eterna – A Nova Jerusalém):
Não que eu já tenha alcançado tudo isso, ou seja perfeito; entretanto, vou caminhando, buscando alcançar aquilo para que também fui alcançado por Cristo Jesus. Irmãos, não penso que eu mesmo já o tenha conquistado; mas tomo a seguinte atitude: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que estão adiante de mim, apresso-me em direção ao alvo, a fim de ganhar o prêmio da convocação celestial de Deus em Cristo Jesus. (Fp. 3:12-14)
Observem bem este gráfico que mostra duas realidades: o alvo que representa o pecado e do lado oposto, o alvo que nos conduzirá ao à Nova Jerusalém.
O servo fiel em primeiro lugar procura caminhar em direção ao alvo que o Senhor tem proposto sobre sua vida, rompendo inteiramente com o pecado deixando para trás e prosseguindo sempre para uma vida de santidade. O seu prazer é fazer a vontade do Senhor que sempre o respalda em sua fé a vencer barreiras. E é nesta tão grande perseverança que mora uma tão grande conquista. Amém!
PUBLICADO ORIGINALMENTE PELO PRÓPRIO AUTOR NO ANTIGO SITE:
< https://pastorwolney.blogspot.com/2020/02/arrependimento-mudanca-de-mentalidade-e.html >
Wolney Rosa Garcia Jr. – Pastor, professor e diretor-geral do CETEAN
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