Por: Wolney Rosa Garcia Júnior
Li numa matéria recentemente a declaração do atual Papa dizendo que “todos os cristãos devem se unir.” Minha pergunta é, unir-se sob quem? De qual cristianismo estamos falando?
O Papa Francisco lembrou aos fiéis que “o ecumenismo não é algo opcional” 1 . Usando como base (João 17.21), papa diz que: “é uma ocasião para cristãos de diferentes denominações se unirem para orar por sua unidade e participar de celebrações ecumênicas especiais e serviços de oração.
Lembremo-nos dos tipos de ecumenismo existentes:· Ecumenismo: Diálogo inter-religioso, o Ecletismo, e o sincretismo.
Um apanhado histórico
O termo “Ecumenismo” – Tem uma face plural que significa “Mundo Habitado”. Na visão grega tem o sentido de união de “um povo civilizado e de mente aberta”, algo como “deixemos nossas diferenças de lado”.
O fator histórico remonta às conquistas do Império Romano, caracterizada pela autocracia (forma de governo onde há um único detentor do poder) dentre eles cito Constantino (Imperador Romano – 288-337 d.C.) que mediante uma guerra civil obteve sua vitória sobre seus inimigos onde tornou-se o imperador romano.
Em 381 nos concílios (de Constantinopla, de Concílio de Niceia, no Credo niceno-constantinopolitano) o termo “ecumenismo” deixa de ter a conotação política e passa a ser utilizado na Igreja Católica Romana.
Sua religião
Constantino como um bom idólatra, politeísta e político, adotava a divindade que o favorecesse no momento. Quando ainda ligado ao Imperador Maximiano, sua divindade então era Hércules seu protetor, ao matar seu sogro e ganhar fama entre seus soldados passou a adorar o Deus Sol Invicto. Mais tarde para ganhar notoriedade entre os cristãos após a vitória sobre Magêncio em 312 foi que atribuiu ao Deus cristão. Segundo a tradição, diz que ele pronunciou a todos ter na noite anterior à batalha, sonhado com uma cruz, e nela estava escrito em latim: In hoc signo vinces (“Por este sinal conquistarás “).

De manhã, um pouco antes da batalha, mandou que pintassem uma cruz nos escudos dos soldados e conseguiu uma vitória esmagadora sobre o inimigo.
Na Enciclopédia Hídria observa: “Constantino nunca se tornou cristão”. No dia anterior ao da sua morte, Constantino fizera um sacrifício a Zeus, e até o último dia usou o título pagão de pontífice máximo (pontifex maximus).
Daí por diante o cristianismo Católico Romano se tornou a religião “pessoal” dos imperadores, que, no entanto, ainda deveriam regular o exercício do paganismo, devido ao fato de que o paganismo retinha ainda grande força política.
O imperador romano Constantino influenciou em grande parte na inclusão na igreja cristã de dogmas baseados em tradições. Uma das mais conhecidas foi o Édito de Constantino, promulgado em 321, que determinou oficialmente o domingo como dia de repouso, com exceção dos lavradores — medida tomada por Constantino utilizando-se da sua prerrogativa de, como Pontífice máximo, de fixar o calendário das festas religiosas, dos dias fastos e nefastos (o trabalho sendo proibido durante estes últimos). Note-se que o domingo foi escolhido como dia de repouso, em função da tradição sabática judaico-cristã, o nome original em latim Dominicus, significa “dia do Senhor”.
Veja um trecho do chamado Édito de Constantino:
“Que todos os juízes, e todos os habitantes da cidade, e todos os mercadores e artífices descansem no venerável dia do Sol. Não obstante, atendam os lavradores com plena liberdade ao cultivo dos campos; visto acontecer amiúde que nenhum outro dia é tão adequado à semeadura do grão ou ao plantio da vinha; daí o não se dever deixar passar o tempo favorável concedido pelo céu.” 2
Chamo sua atenção aos fatos históricos desses Concílios e Éditos quanto a junção cristianismo/paganismo. O Império Romano dominava a política e a religião, seu imperador Constantino outrora pagão insere o cristianismo em seu panteão de crenças. O qual culminou na mudança das observações bíblicas dos cristãos do primeiro século, que até então vinham observando preceitos os quais foram abolidos até aos dias de hoje por muitos cristãos.
Um adendo histórico
O decreto apoiou a adoração ao Deus-Sol (Sol Invicto) no Império Romano. Lembre-se as religiões dominantes nas regiões do império eram pagãs, e em Roma, era notável o mitraísmo (crença pagã), especificamente o culto do Sol Invicto. Os adeptos do mitraísmo se reuniam no domingo. Os judeus, que guardavam o sábado, eram perseguidos sistematicamente neste momento, por causa das guerras romano-judaicas, e, por essa razão, o édito de Constantino é considerado muitas vezes antissemita.
Embora alguns cristãos tenham usado o decreto como apoio à guarda do domingo, para tentar solucionar a polêmica de guardar o sábado ou o domingo na Igreja Cristã, na realidade, o decreto não se aplica aos cristãos ou judeus. Por uma questão estreitamente relacionada, Eusébio afirma:
“Por sorte não temos nada em comum com a multidão de detestáveis judeus, por que recebemos de nosso Salvador, um dia de guarda diferente.” 3
Embora isso não indique uma mudança do dia de guarda no cristianismo, na prática o édito não favorece um dia diferente para o descanso religioso, inclusive o sábado judaico. Este édito fazia parte do direito civil romano e em sua religião pagã, e não era um decreto da Igreja Cristã ou se estendia às religiões abraâmicas. Somente em 325 d.C., no Primeiro Concílio de Niceia, o domingo seria confirmado como dia de descanso cristão, e a guarda do sábado abolida no Concílio de Laodiceia.
Pois bem, após analisarmos de forma bem resumida a história do princípio do ecumenismo, que outrora pagão adotado pelos filósofos gregos, posteriormente adotada pelo Império Romano como estratégia política após suas conquistas territoriais. Que por sua vez adotada pelo conquistador do império Romano Constantino, que mesmo sendo politeísta usou o cristianismo para o benefício de suas conquistas.
Em nossos tempos sempre sendo usada de forma política pelo Papa Francisco ao lembrar aos fiéis que “o ecumenismo não é algo opcional”.
Nota: A estratégia do inimigo de nossa alma muda de tempos em tempos. Antes, satanás agia por meio das perseguições e mortes, a começar com a crucificação de Jesus sendo autorizada por autoridades romanas e executada por soldados romanos. Depois a perseguição aos cristãos sob nero (de 54-68 dc); Perseguição aos cristãos sob Diocleciano (303 dc); Em 1022 o “Tribunal Público contra a Heresia” , o tribunal da chamada Santa Inquisição.
Hoje, ouvimos um convite de cunho político a nos unirmos pelo bem de nós todos. Convite do tipo, “pode vir, tem perigo não!”, “Eu os abraço!”.
Sobre essa proposta de “paz” cito as Sagradas Escrituras:
“Quando disserem: “Paz e segurança”, a destruição virá sobre eles de repente, como as dores de parto à mulher grávida; e de modo nenhum escaparão. [1 Tessalonicenses – Capítulo 5]
Kenneth Copeland (do lado direito do papa Francisco) – Um dos renomados tele-evangelistas evangélico dos Estados Unidos e outros representantes de mega-igrejas evangélicas.
Mensagem do Papa Francisco aos líderes reunidos no Ministério Kenneth Copeland.
Veja em: https://blog.kcm.org/kenneth-copeland-reports-in-about-his…/
* Com líderes religiosos mundiais:
https://www.reuters.com/…/pope-world-religious-leaders-pled…
http://english.donga.com/3/all/26/1048564/1
http://evangelicalfocus.com/…/Pope_Francis_Our_enemies_teac…
https://www.vaticannews.va/…/papa-francisco-genebra-wcc-ora…
O quadro escatológico da Igreja do Senhor Deus antes da segunda vinda não é o de uma megaigreja reunindo toda a humanidade, mas o de um “remanescente” da cristandade, a saber, aqueles que guardam os Mandamentos de Deus e têm a fé em Jesus (veja Apocalipse 12:17).
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BIBLIOGRAFIA
- https://www.vaticannews.va/en/pope/news/2019-01/pope-francis-christian-unity-general-audience-appeal.html?fbclid=IwAR3QoWiQVpgU_XRitBzqsl1KwrUTh4hM7yhKw4Wq7KD-s1IrbvKwcM4o-6A
- Codex Justinianus – https://droitromain.univ-grenoble-alpes.fr/Anglica/codjust_Scott.htm
- Vida de Constantino, Livro III, capítulo 18 – http://www.newadvent.org/fathers/25023.htm·
- Alexander Roberts, D.D. & James Donaldson, LL.D. (ed.). Chapter LXVII.—Weekly worship of the Christians. The Apostolic Fathers with Justin Martyr and Irenaeus. [S.l.: s.n.] – http://www.ccel.org/ccel/schaff/anf01.viii.ii.lxvii.html· Bosch, Juan: Para compreender o ecumenismo.Edições Loyola, São Paulo, Brasil, 1995.·
- CNBB: O que é ecumenismo: Ajuda para trabalhar a exigência do diálogo. Edições Loyola, São Paulo, Brasil, 1997.·
- Wolff, Elias: Caminhos do Ecumenismo no Brasil. Editora Paulus, São Paulo, Brasil, 2002.·
- Vercruysse, J.E., Introdução à teologia ecumênica. São Paulo: Edições Loyola. ·
- Oliveira, R.A.C., 2005: Esforços no diálogo ecuménico inter-religioso e intereclesial. Revista Lusófona de Ciência das Religiões. Ano IV, n.7/8, pp.141-160.
- Guimarães, Marcelo Miranda. A Torá – Bereshit, No princípio, Gênesis / Marcelo Miranda Guimarães. Belo Horizonte: AMES, 2006
- DANIEL-ROPS, Henri. História da Igreja de Cristo. Tradução de Henrique Ruas; revisão de Emérico da Gama – São Paulo: Quadrante, 2006 (coleção). ISBN 85-7465-002-1
- DREHER, Martin. A Igreja no Império Romano. São Leopoldo: Sinodal, 1993.
- GIBBON, Edward. Declínio e Queda do Império Romano. São Paulo: Companhia de Bolso, 2005.
- GONZÁLEZ, Justo L. A Era dos Mártires. São Paulo: Vida Nova, 2002.
- HEATHER, Peter & MATTHEWS, John. Goths in the Fourth Century. Liverpool: Liverpool University Press, 1991.
- LUCIANO de Samósata. “Alexander The Oracle-monger”. In The Works of Lucian of Samosata, vol. II. Trad. H. W. Fowler and F. G. Fowler. Oxford: The Clarendon Press, 1905.
PUBLICADO ORIGINALMENTE PELO PRÓPRIO AUTOR EM SEU ANTIGO SITE.
< https://pastorwolney.blogspot.com/2020/02/ecumenismo-um-convite-papal.html >

